“Cadê minhas estagiárias?!”

_____Eu estava trabalhando, ilhado em ideias e alterações, quando o chefe da companhia entrou com um gerente.
_____“Estão ali, ó,” o gerente respondeu, com um sorrizinho estampado na cara.
_____“Mas eu pedi três!” o chefe, também num tom de brincadeira. Brincadeira séria de chefe.
_____Normalmente não participo dessas conversas e eles sabem que sou território neutro. Não respondo, não reclamo, não conto.
_____Comecei a pensar numa dessas garotas que o chefe pediu tempos atrás, “para deixar o ambiente mais interessante.”
_____Essa entrou estagiária e saiu gerente. No primeiro dia de trabalho, conversamos e foi bonito. Tínhamos diversas ideias e intenções parecidas. Fiquei animado, pela conversa e beleza. Alguém para conversar.
_____Saí da empresa para resolver questões de ordem mental e voltei após quatro meses. Tive um choque ao reencontrá-la. Apenas nos cumprimentamos formalmente. Ela já não lembrava muito daquela que conversei. Era chefe e assumia tal posição. O nariz empinado e olhar superior. Fiquei abalado com toda aquela pose. Apenas a tratei da forma que desejava e me distanciei. Quieto fiquei.
_____O trabalho corrompe, isto não é novidade, mas quando acontece com alguém próximo, ou alguém que gostaríamos de nos aproximar, bate uma sensação estranha. Toda essa sujeira. Daqui a um tempo eu me aposento… ou viajo novamente.

_____Agora temos duas novas garotas e provavelmente uma terceira a caminho, mas quando estou na companhia pretendo só trabalhar.

15.03.03-coque_abestrato